HOSPITAL SÃO ZACHARIAS

Serviço de Psicanálise em Atenção a Infância - SEPAI

 

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO

CFCH – Faculdade de Educação

NIPIAC – Instituto de Psicologia

IPUB-SPIA – Serviço de Psiquiatria da Infância e Adolescência

 

UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE

Faculdade de Educação

 

 

 

PROJETO DE PESQUISA

                           Infância, Adolescência e Mal-estar na Escolarização: Estudo de Casos em Psicanálise e Educação

 

Processo Seletivo – 2014

 

Coordenação

Cristiana Carneiro (UFRJ)

Luciana Gageiro Coutinho (UFF)

Professores Participantes

Heloísa Brasil (IPUB-UFRJ)

Leila Amaral Ribeiro (IPUB-UFRJ)

Silas Cabral Bourguignon (SEPAI-HSZ- SANTA CASA)

 

NUMERO DE VAGAS: 3

PERÍODO DE INCRIÇÃO: 29/03/2014 a 18/04/2014

ETAPAS:

  1. O candidato deve estar devidamente matriculado no curso de especialização do SEPAI ou já ter concluído o curso;
  2. Deve ter cursado a disciplina Inteligência, Debilidade e Atrasado Escolar com avaliação de excelência;
  3. No ato de inscrição deve apresentar a secretaria do SEPAI memorial de atividades desenvolvidas na vida acadêmica e profissional, com justificativa e solicitação de entrada na pesquisa;
  4. Avaliação;
  5. Divulgação dos aprovados: 26/04/2014

 

COMISSÃO DE AVALIAÇÃO

Cristiana Carneiro (UFRJ)

Luciana Gageiro Coutinho (UFF)

Silas Cabral Bourguignon (SEPAI-HSZ SANTA CASA)

 

  

 

 

Apresentação do Projeto

 

Este projeto se constitui a partir de uma parceria entre o NIPIAC (Núcleo Interdisciplinar de Estudo e Pesquisa para a Infância e Adolescência Contemporâneas), as Faculdades de Educação da UFRJ e da UFF, o Instituto de Psiquiatria da UFRJ, mais especificamente o SPIA, Serviço de Psiquiatria da Infância e Adolescência, e o Serviço de Psicanalise em Atenção a Infância – SEPAI, do Hospital São Zacharias da Santa Casa da Misericordia do Rio de Janeiro. Visa refletir sobre o mal-estar na escolarização de crianças através de uma perspectiva interdisciplinar a partir da metodologia do estudo de caso.

 

As inúmeras dificuldades que se apresentam na educação de crianças e adolescentes têm nos feito pensar bastante e questionar o modo como estas são tratadas teoricamente, bem como sobre os possíveis modos de intervir com elas.  É bastante comum a queixa dos educadores sobre o “fracasso” de seus alunos que é identificado muito comumente como expressão de um sintoma individual (TDAH, dislexia, déficits cognitivos, etc) da criança, o que é corroborado no âmbito médico e/ou psicológico pela tendência atual à medicalização, mas muito raramente leva-se em conta a singularidade dos sujeitos e a situação em que se apresentam os problemas.

 

Neste projeto partimos do pressuposto de que é necessário ampliar a discussão sobre as chamadas "dificuldades de aprendizagem" que não podem ser pensadas isoladas de um estudo mais cuidadoso do caso, em que sejam discutidos  os múltiplos fatores que intervém neste recorrente "sintoma". Na aprendizagem, que não pode ser pensada de forma isolada da inserção escolar, familiar e social da criança, diversos elementos interagem de modo entrelaçado regulando a relação do sujeito ao saber que se produz.  Desde fatores orgânicos, genéticos ou não-genéticos, que se associam aos fatores sociais e emocionais específicos da história de cada criança, produzindo um tipo de funcionamento cognitivo e de saber sobre o mundo.

 

Os textos psicanalíticos (Manonni, 1999; Bergès, 1999; Jerusalinsky, 1999; Santiago, 2005; Kupfer, Colli, 2005; Lajonquière, 2010) chamam a atenção para o fato de que o discurso médico-pedagógico sobre as dificuldades de aprendizagem e de escolarização muitas vezes não leva em conta as particularidades do sujeito e de seu contexto.  Ao tratar a questão de forma isolada, descontextualizada e descritiva, a dimensão singular daquela manifestação sintomática para aquele sujeito é perdida, juntamente com a possibilidade de que ele se implique na investigação e no tratamento de sua dificuldade.  Sabemos que, mesmo que seja constatada a presença de um distúrbio orgânico, não podemos desprezar o modo pelo qual a criança dá um sentido a ele, bem como a maneira como aqueles que lidam com a criança e se relacionam com ela e com suas dificuldades. O que, em última instância, vai ter consequências no modo pelo qual aquele sujeito lidará com o problema.

 

Em nossa inserção inicial no IPUB, de caráter exploratório, realizamos um estudo piloto em 2012 de rastreamento das queixas ligadas a escolarização dentro do universo de todos os casos atendidos na triagem do SPIA. Constatamos um número expressivo de casos que chegam para a triagem com queixas nomeadas como “dificuldades de aprendizagem” e “agitação”.  Em um total de 285 casos atendidos na triagem neste período, 92 casos chegam com alguma queixa referida à escola. Dentre estes, 44 apresentaram queixas de dificuldades de aprendizagem e 30 de agitação/inquietude, de forma que estas duas categorias mostraram-se prevalentes. Neste sentido, o estudo piloto fez com que elegêssemos estas duas categorias –dificuldades de aprendizagem e agitação- como objetos de pesquisa e como critérios de elegibilidade dos casos a serem estudados. A partir disto objetiva-se aprofundar os vários discursos que se entrecruzam na produção dessas queixas, a saber: a escola, a família, a criança/adolescente, os profissionais que a atendem.

 

Dito isso, podemos enunciar nossa questão principal de pesquisa: Como compreender o mal-estar na escolarização de crianças e adolescentes a partir das queixas de dificuldade de aprendizagem e agitação? Como pensar a participação dos diferentes atores neste mal-estar (criança/adolescente, escola, família, especialistas)?

  

Objetivo geral:

 

Ampliar a discussão sobre o mal-estar na escolarização de crianças/adolescentes numa vertente interdisciplinar, visando integrar vários discursos, mais especificamente, a família, a escola, especialistas e a própria criança/adolescente.

 

 

Objetivos específicos:

 

  • investigar e analisar as categorias dificuldade de aprendizagem e agitação a partir de quatro eixos: escola, família, profissionais envolvidos e criança/adolescente.
  • contribuir na formação de professores, psicólogos e psiquiatras numa perspectiva interdisciplinar;
  • realizar reuniões de equipe multidisciplinar visando a integração dos vários profissionais envolvidos nos casos;
  • idealizar e executar práticas de intercâmbio entre universidade,  SEPAI e escola;
  • transmitir e formar os jovens professores pesquisadores no âmbito acadêmico-científico desta área temática em interseção com a prática;
  • consolidar uma rede interdisciplinar em torno das questões de escolarização de crianças e adolescentes;
  • conhecer de modo aprofundado o particular.

 

 

 

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